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13/11/2006 | GRUPO C - OPERAÇÃO DE REDES
Metrobús: o fim do martírio dos usuários na capital mexicana
Por: Revista Technibus

As autoridades mexicanas encontraram uma solução para acabar com o suplício dos cidadãos no deslocamento diário na região metropolitana da Cidade do México, a capital do país, com seus 18 milhões de habitantes e sua rede viária de 10.182 km. Inauguraram em junho de 2005 a primeira fase do Metrobús, o sistema de transporte urbano rápido em corredor segregado. O primeiro trecho do sistema tem 19,5 km e atende 250 mil passageiros por dia.

 

Com a implantação de sistemas integrados de transporte, o chamado BRT (sigla em inglês de Bus Rapid Transit), o México busca uma solução eficiente para resolver os problemas de mobilidade e poluição que afetam os habitantes das grandes e médias cidades.

 

Nas ruas e avenidas da zona metropolitana da capital circulam cerca de 3,5 milhões de automóveis, dos quais 3 milhões são carros particulares, que transportam apenas duas de cada dez pessoas em deslocamento pela área.

 

Aglomerações, ruídos, poluição e acidentes são o que enfrentam diariamente as pessoas que se movimentam pela Cidade do México, além de um grande desperdício de tempo. Até a inauguração do Metrobús, os usuários eram atendidos por uma frota de 28 mil veículos no transporte urbano, formada por cerca de 5 mil ônibus convencionais e 23 mil vans e microônibus que circulam em um trânsito caótico.

 

Com a utilização desse meio de transporte, normalmente is habitantes da zona metropolitana gastam cerca de duas horas e meia para deslocamentos diários. Qualquer pessoa dentro dos veículos está exposta a concentrações de contaminantes do ar entre duas e seis vezes mais intensas do que no ambiente exterior, de acordo com um estudo. A causa é a idade média da frota de veículos movido a diesel, de mais de 15 anos.

 

Para piorar a situação, os passageiros das vans e microônibus correm grandes riscos de acidente porque esses veículos são conduzidos por motoristas que competem para ganhar mais. A explicação está no fato de que geralmente o motorista é o próprio dono do veículo e da empresa operadora. De acordo com levantamento divulgado, as empresas de transporte coletivo de passageiros que operam na capital mexicana têm uma frota de 1,3 veículo cada. Ou seja, praticamente cada veículo pertence a um único operador. Aí está um dos motivos para o elevado índice de acidentes automobilísticos na Cidade do México, que causam 2.500 vítimas fatais ao ano.

 

Uma alternativa aos ônibus é o metrô. Com 11 linhas, 175 estações e 308 composições, o sistema atende diariamente 4,2 milhões de pessoas, apenas 14% da demanda de viagens diárias.

 

Para acabar com o martírio dos cidadãos, as autoridades da Cidade do México decidiram implantar o Metrobús – o primeiro sistema de ônibus com corredor segregado na segunda metrópole mais populosa do mundo. Isso só ocorreu depois da experiência pioneira com o sistema BRT na cidade de Puebla. Em 2003 foi a vez de Leon inaugurar seu sistema integrado de transporte. Os dois casos servem de referência para qualquer cidade mexicana interessada em implantar o sistema, de acordo com os técnicos do setor. Uma dezena delas já tem projetos para adoção de sistemas com corredores exclusivos para transporte.

 

No caso da Cidade do México o modelo tem corredores no centro da avenida. Semáforos inteligentes instalados em 56 interseções controlam o trânsito. A tarifa pré-paga é feita com cartão recarregável, ao custo equivalente a 33 centavos de dólar. No horário noturno, a passagem é mais cara. O embarque é feito em plataforma, um metro acima do solo.

 

Os operadores são a empresa Corredor Insurgentes (Cisa), com 60 ônibus articulados, e o organismo público descentralizado Red de Transporte, com 20 veículos. Os 80 veículos da frota inicial têm motor a diesel Euro 3. A capacidade dos veículos de 18 metros é de 160 passageiros. Os ônibus têm quatro portas do lado esquerdo com 20 cm de largura cada uma. A velocidade da operação é de 19 km por hora, com ônibus passando pelos pontos de parada (a uma distância média de 450 metros entre si) a cada dois minutos no horário de maior demanda. A capacidade máxima é de 6 mil passageiros por hora em cada sentido. De um extremo ao outro na extensão de 19,5 km do corredor, entre os terminais Índios Verdes e Doctor Gálvez leva-se uma hora de viagem. O horário de funcionamento é de 24 horas por dia. Há conexões com o metrô em seis estações de baldeação.

 

Para o usuário os benefícios são a diminuição do tempo de viagem, transferência para outro meio de transporte com mais conforto e segurança, além de melhoria da paisagem urbana e qualidade de vida.

 

Para o governo, há maior eficiência e controle do transporte público e o desenvolvimento de um serviço de transporte sustentável, além da diminuição de acidentes viários e redução da poluição ambiental.

 

As autoridades já estão estudando a implantação da etapa seguinte do BRT e estão escolhendo a área entre os 33 corredores do atual sistema, que contam com a uma demanda de 100 mil usuários cada um. A prioridade deve ser para aqueles que tiverem maior demanda.

 

O Metrobús surgiu da preocupação do governo do distrito federal, onde se encontra a capital mexicana, com os problemas de poluição ambiental. Em 2002 publicou o Programa para Melhorar a Qualidade do Ar na Zona Metropolitana do Vale do México e, em seguida, firmou acordos com organismos internacionais de meio ambiente e com o Banco Mundial para adoção de medidas de conservação ambiental. Nesse programa está prevista a construção de corredores estratégicos de transporte público. Criou-se então o Centro de Transporte Sustentable (CTS) para dar assessoria sobre este sistema de transporte.

 

Para implantar o Metrobús, o governo escolheu a Avenida de los Insurgentes, que atravessa a capital mexicana de norte ao sul – e ao longo da qual se encontra grande número de empresas e escritórios – e que se liga com a linha do metrô e cruza com outras vias importantes. As autoridades tiveram de convencer os concessionários de microônibus da linha 2 que circulavam pela avenida dos Insurgentes a transformar seus serviços de transporte e a retirar os veículos velhos. A negociação resultou na empresa Corredor Insurgentes Sociedad Anônima (Cisa), formada pelos concessionários, que recebeu a concessão da operação do novo sistema.

 

Os especialistas concordam que o impacto do Metrobús acionará a adoção de outros sistemas BRT no México. Muitas cidades já anunciaram sua intenção de construir sistema integrado de transporte nos próximos anos.

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