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24/11/2006 | GRUPO E - ASPECTOS ORGANIZACIONAIS
Como não matar nossa velha mãe
Por: Rubem Mauro Machado

Para o capital, que nos governa e governa o mundo, não interessa estimular o transporte de massa. Não importa que populações inteiras gastem boa parte de seu tempo sofrendo dentro dos ônibus como sardinhas enlatadas; não importa que diariamente milhares de cidadãos percam horas em engarrafamentos enervantes, enquanto impotentes e nervosos ao volante de seus carros jogam gás carbônico na atmosfera poluída das grandes cidades, ar que eles próprios têm de respirar. Para a lógica capitalista, para as montadoras de automóvel, para as companhias petrolíferas, o que interessa é obrigar as pessoas a comprar carros e queimar petróleo. E por isso, além da necessidade imposta pela falta de alternativas, gastam-se rios de dinheiros em campanhas publicitárias que associam a posse do automóvel a status; quem não for dono de um é um fracassado na vida. Ou seja, cria-se também uma necessidade psicológica de compensação social, para garantir que ninguém fique sem o seu carro — ou no mínimo fomente o sonho de possuir um.

Henry Ford, o pai do automóvel moderno, não por supostamente tê-lo inventado, mas por ter criado a linha de montagem que possibilitou a sua produção em massa, dizia que o seu sonho era que cada trabalhador americano fosse dono de um carro. Só que ele não previu — talvez porque não interessasse refletir sobre isso — o caos em que se converteriam as cidades (como estão se convertendo ou já se converteram), com o entupimento de suas artérias por esses incensados insetos de lata. Quando sabemos quão mais rápido, econômico e seguro, mais racional em suma, é um sistema de metrô moderno; quando sabemos que o transporte ferroviário de carga é cinco vezes mais barato que o transporte por rodovia: o caminhão, além de mais propício a acidentes, contribui para tornar mais caro os alimentos e outros bens transportados.

Um transporte de massa eficiente e barato teria evitado que as populações pobres se amontoassem no coração das cidades em cortiços ou em favelas, como acontece, por exemplo, no Rio, agravando o caos urbano. Um sistema de ligação por barcas evitaria o pesadelo do engarrafamento que se observa na Linha Vermelha todas as manhãs em direção ao Centro e no fim da tarde na direção contrária. Em São Paulo o trânsito engarrafa hoje até nos domingos!
Todos, políticos, planejadores, urbanistas, estão cansados de saber disso tudo: mas nunca há dinheiro disponível no Banco Mundial para a recuperação de ferrovias, para a implantação e ampliação de linhas de metrô ou de bondes modernos nas cidades do chamado Terceiro Mundo. Já para a construção de viadutos, que supostamente vão desafogar o trânsito, mas que no dia seguinte à inauguração se tornam apenas mais um elo na cadeia de bloqueios e entupimentos, para a abertura de novas rodovias, enquanto as vias hidrográficas são esquecidas, ah, para isso os cofres estão sempre abertos. Os amigos da turma petrolífera do senhor Bush sabem perfeitamente onde mora o seu interesse. O bem-estar das grandes cidades que se dane. O ar das grandes cidades que se dane. O racionalismo de nossa existência que se dane. O capitalista é imediatista e voraz: se ele vai enriquecer com a derrubada de uma floresta, que se derrube; quando ela acabar, ele vai aplicar os lucros em outro negócio qualquer, ainda que predatório.

A poluição do ar por veículos automotores, que contribui para o aumento do aquecimento global, é apenas um dos aspectos da questão. Mas ela é a que primeiro me vem à mente, ao refletir sobre o documentário “Uma verdade inconveniente”, em exibição nos nossos cinemas, que retrata a cruzada contra o aquecimento da Terra promovida por Al Gore, ex-candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, derrotado pelo atual mandatário norte-americano numa eleição, segundo muita gente boa, roubada (sem falar que Gore teve mais votos populares em todo o país; estranha democracia essa, em que o mais votado não leva; quatro anos mais tarde Bush II se reelegeria, legitimando-se).

Esse filme deveria passar obrigatoriamente em todos os canais de televisão, deveria ser projetado em escolas e universidades, nas fábricas, escritórios, quartéis. Pouco importa que ele possa ser uma peça de promoção política de Gore, ou uma plataforma do Partido Democrata visando à derrubada da supremacia do Partido Republicano; uma arma da política interna norte-americana que ultrapassaria as fronteiras nacionais. Importa que a denuncia que faz é grave, gravíssima. Embasada em dados científicos, em evidências que não podem ser negadas, mostra que o planeta está em perigo e que, se não forem tomadas já, neste momento, medidas urgentes, as conseqüências poderão ser trágicas para a humanidade. O poder do homem de interferir na natureza não tem mais limites; e o progresso da ciência nos permite aferir o grau de destruição e projetar o que vai nos acontecer se o aquecimento planetário, decorrente sobretudo da poluição, prosseguir.

Ao afrontar o establishment, Gore tem um comportamento que pode ser classificado de heróico. Só que ele não tem a coragem, ou a possibilidade política (para não se suicidar), de ir até o fim de suas conclusões. Entre as medidas paliativas que sugere ao final de sua aula primorosa, estão, por exemplo, e para só ficarmos na questão do transporte, a de que se comprem veículos automotores menos poluentes. Quando na verdade o que tinha de propor é o investimento para valer no transporte de massa, ao mesmo tempo em que se instituíssem medidas para tornar cada vez mais oneroso o egoísta transporte individual — e assim desestimulá-lo. Mas no mundo moderno quem ousa falar mal desse ícone de nossos tempos, o automóvel, corre o risco de ser olhado com a condescendência reservada aos loucos e aos idiotas.

Para muitos estudiosos, parece claro hoje que o mundo não pode copiar o padrão norte-americano de desenvolvimento, em que um único país consome um quarto de toda a energia do planeta e contribui na mesma ordem de grandeza para a sua poluição: ao contrário do que parecia nos primórdios da era industrial, hoje se sabe que as matérias-primas, os recursos naturais, inclusive o petróleo e a água doce, são finitos e estão se extinguindo. E ao tentar reproduzir o modelo de desenvolvimento capitalista, os países que se intitulavam socialistas — o famoso socialismo “real” — incidiram no mesmo pecado, cometendo crimes ambientais irreparáveis.

O documentário mostra como estamos destruindo nossa única casa, matando a nossa mãe Terra. A única maneira de revertermos isso será adotando um novo padrão de progresso mais harmônico, de mais sadia convivência entre homem e natureza e entre nós mesmos. O acúmulo desenfreado e a qualquer custo de bens não traz a felicidade e sim a morte coletiva. Pode soar catastrófico — e é.
De nossa parte, como brasileiros, a maior contribuição que podemos dar à saúde planetária é controlando e vigiando a expansão da fronteira agrícola e impedindo a derrubada e a queima de florestas. Isso não precisa significar um retrocesso em nossa economia: a exploração sustentável da floresta tropical, ainda tão mal estudada, pode ser fonte de grandes riquezas.

Quanto ao êxito da pregação de Al Gore entre os próprios norte-americanos, infelizmente não sou muito otimista. É difícil a um povo abrir mão voluntariamente de seu estilo de vida baseado no desperdício. No tempo que passei na Califórnia, espantava-me de ver casas com seis, sete carros na garagem: admitirão eles ser mais sóbrios, mesmo se vierem a dispor de um transporte coletivo mais eficiente? Além do mais, uma geleira derretendo no Ártico parece um acontecimento distante demais, um perigo remoto demais para quem está preocupado com as tarefas absorventes dia-a-dia, dentro do princípio de que “time is money”. Ainda que saibamos que, maltratada, a natureza não tarda em se vingar dos homens. Até mesmo com a sua precoce extinção.

"Rubem Mauro Machado, jornalista e escritor, é autor, entre outros livros, de "A idade da paixão", Prêmio Jabuti de melhor romance de 1986, recentemente relançado pela Editora Bertrand."

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