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21/08/2007 | GRUPO D - ASPECTOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS
Transporte público gratuito: marketing ou estratégia política?
Por: Rolf Meyer

Será que transporte público gratuito existe? A resposta depende da definição de “gratuito”. Neste contexto, se toma gratuito como que o cliente não paga nada para usar os serviços de transporte público. Mas claro, os custos do sistema de transporte público devem ser cobertos por um parceiro, e ele é geralmente a autoridade pública. Uma exploração mais profunda no significado preciso de “gratuito” é necessário.

 

Gratuito por medida

 

Transporte público “gratuito” existe de alguma forma virtualmente em todos os lugares, mas de várias maneiras. O elemento “gratuito” pode ser referir a “quem”, “o quê”, “quanto custa”, “quando” e “como”. Por “quem”, nós queremos dizer que o beneficiário do serviço gratuito pode ser o público viajante como um todo ou grupos-alvo como pessoas com mobilidade reduzida. O “o quê” pode se referir a toda a rede de transporte público, uma região, uma linha ou mesmo uma única rota. A redução pode ser total, parcial ou ter a forma de um valor fixo para um número ilimitado de viagens: esta é a resposta para a questão “quanto custa”. O “quando” se refere à hora do dia, por exemplo, em horas que não sejam de pico ou somente em feriados. O “como” descreve as condições de acesso ao transporte público gratuito: é gratuito sem exceção ou somente em conjunto com outra oferta como estacionamento ou um evento?

 

É claro que esta definição ampla pode ter um impacto positivo no uso de transporte público, e isso representa um dos elementos principais do marketing: preço. E, embora circular no transporte público pode ser gratuito para o usuário, a empresa de transporte pode ter uma receita. Nos exemplos acima, os custos seriam cobertos pela organização do evento ou pelo operador do estacionamento. A própria empresa de transporte pode financiar os custos como uma promoção, por exemplo, usando uma tarifa sazonal para que novos usuários utilizem o transporte público e aumente suas receitas.

 

Completamente gratuito

 

Em Flanders, Bélgica, as comunidades decidiram por si próprias até onde eles desejam participar nos custos de seu sistema de transporte público. A cidade de Hasselt (70.000 habitantes) decidiu em 1997 fazer com que ser sistema de transporte público gratuito para todos os clientes e cobrir os custos completamente. Esta é a forma definitiva de transporte público gratuito: usufruir do uso de todos os meios de transporte público ou uma rede de transporte público gratuita para todo mundo. Todos os exemplos conhecidos de cidades com transporte público completamente gratuito são motivados principalmente por razões políticas. As mais importantes são:

 

- gerenciamento de tráfego: evitar engarrafamentos, mudar a divisão modal em favor do transporte público.

- inclusão social: o transporte público deve ser aberto para todos os habitantes.

- proteção do ambiente: especialmente menos poluição, menos consumo de energia e menos acidentes.

- para tornar a cidade mais atraente para os habitantes, turistas e a indústria.

- outras razões políticas, por exemplo, parte de um programa eleitoral.

 

Em Hasselt, o exemplo melhor conhecido mundialmente, o transporte público gratuito foi uma alternativa à construção de novos estacionamentos. A introdução do transporte público gratuito aumentou o número de passageiros em dez vezes. Mas o efeito no tráfego se manteve pequeno: Cerca de meio milhão de viagens de carro por ano podem ser economizadas, mas a mudança na divisão modal em favor do transporte público é baixa. Isso também pode ser observado em outras cidades que introduziram sistemas de transportes públicos gratuitos.

 

Custos e preços

 

Uma observação interessante é a de que transporte público gratuito existe somente em cidades com menos de 100.000 habitantes. A contribuição da receita da venda de tíquetes nas grandes cidades se mostraria essencial ao financiamento do sistema de transporte público. Cálculos em Genebra, Suíça, por exemplo, mostraram que os custos para a autoridade pública, levando em consideração um aumento de 20% da oferta, iriam dobrar. Cidades maiores como Bologna, Itália ou Castellón, Espanha que tentaram oferecer transporte público completamente gratuito abandonaram a idéia devido ao insucesso. À medida que as finanças públicas se deterioram, reduções de subsídios pelos fundos públicos devem ser levadas em consideração também. Uma empresa de transporte público então deve ser capaz de cobrar a queda ao gerar mais receita da venda de tíquetes. A única alternativa seria cortar a oferta. Deve ser levado também em consideração que preço é um instrumento importante para direcionar o fluxo de tráfego nas horas de pico e ajuda a evitar altos custos a uma oferta adicional em horários fora-pico.

 

Sumário

 

Transporte público gratuito em um sentido amplo é um instrumento apropriado para aumentar a atratividade do transporte público adaptado para uma situação específica ou para um grupo-alvo. Por um outro lado, transporte público totalmente gratuito é um instrumento motivado por objetivos de políticas de transporte, cujos efeitos e resultados geralmente são sobreestimados. A questão decisiva não é saber “se”, mas “quanto” um cliente deve pagar.    

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